Linguagens, Códigos e suas Tecnologias tem 45 questões no primeiro dia do Enem, e as funções da linguagem podem aparecer em qualquer uma delas sem que a palavra função apareça no enunciado.
As funções da linguagem são os seis papéis que um texto assume conforme o elemento da comunicação que ele coloca em primeiro plano: referencial quando o foco é o assunto, emotiva quando é quem fala, conativa quando é quem lê, fática quando é o canal, metalinguística quando é o próprio código e poética quando é a forma da mensagem. No Enem, a tarefa é reconhecer qual delas domina no texto da prova.

Atualizado em 24 de outubro de 2026.
Atalhos deste guia:
- O que são as funções da linguagem
- Os seis elementos da comunicação
- As seis funções, uma a uma
- Como o Enem cobra o assunto
- Os gêneros e a função que domina em cada um
- Questão comentada em três passos
- Duas funções no mesmo texto
- Funções e figuras de linguagem
- As marcas que entregam cada função
- Erros mais comuns
- Perguntas frequentes
O que são as funções da linguagem?
Função da linguagem é a finalidade que organiza um texto. Toda vez que alguém fala ou escreve, há seis peças em jogo: quem emite, quem recebe, a mensagem, o canal que leva essa mensagem, o código em que ela é escrita e o assunto de que ela trata. A função nasce de qual dessas peças o texto empurra para o primeiro plano.
A classificação em seis funções foi formulada pelo linguista russo Roman Jakobson e é a que as provas brasileiras adotam. O detalhe que muda a forma de estudar: Jakobson não criou seis caixas estanques. Ele descreveu o que acontece quando um dos elementos da comunicação ganha destaque sobre os outros, e por isso quase todo texto real mistura mais de uma função, com uma delas dominando.
No Enem, isso aparece de um jeito bem específico. A prova apresenta uma tirinha, um anúncio, um trecho de reportagem ou um poema, e pergunta qual intenção predomina. Quem só decorou os seis nomes trava, porque o nome não está no texto. Quem aprendeu a olhar para onde o texto aponta resolve a questão lendo.
Os seis elementos da comunicação e a função que cada um comanda:
Esta é a tabela que resolve metade das questões, porque cada função é a sombra de um elemento. Decorar a coluna do meio sozinha não adianta muito; decorar a relação entre as três colunas é o que funciona.
| Elemento em foco | Função que nasce dele | Pergunta que o texto responde |
|---|---|---|
| Referente, o assunto | Referencial | O que aconteceu? |
| Emissor, quem fala | Emotiva | Como eu me sinto? |
| Receptor, quem lê | Conativa | O que você deve fazer? |
| Canal, o meio de contato | Fática | Você está me ouvindo? |
| Código, a própria língua | Metalinguística | O que esta palavra significa? |
| Mensagem, a forma dela | Poética | Como isso soa? |
Repare que a terceira coluna é a mais útil na hora da prova. Ler o texto e tentar responder qual dessas seis perguntas ele está respondendo leva ao gabarito mais rápido que qualquer lista de nomes.
As seis funções, uma a uma, com a marca que identifica cada uma:
Função referencial, também chamada de denotativa.
O texto se apaga para deixar o assunto aparecer. Predomina a terceira pessoa, o vocabulário objetivo e o sentido denotativo, sem rodeio nem opinião declarada. Exemplo construído: o Inep divulga o cronograma do exame em edital próprio. É a função das notícias, dos verbetes de enciclopédia, dos relatórios e dos textos científicos, que formam boa parte do material de leitura da prova.
Função emotiva, também chamada de expressiva.
Aqui quem aparece é o emissor. As marcas são a primeira pessoa, os adjetivos de valor, as interjeições, o ponto de exclamação e as reticências de hesitação. Exemplo construído: nunca imaginei que fosse doer tanto fechar aquela porta. Diários, crônicas pessoais, depoimentos e poemas líricos vivem dessa função.
Função conativa, também chamada de apelativa.
O alvo é o leitor, e o texto quer uma reação dele. As marcas são diretas: verbo no imperativo, vocativo, pronomes de segunda pessoa e pergunta feita ao leitor. Exemplo construído: separe o lixo reciclável antes de descer com a sacola. Propaganda, campanha de conscientização, manual de instruções e discurso político são o território dessa função, e ela é das que mais aparecem nos anúncios que o Enem gosta de usar.
Função fática.
Essa função não transmite conteúdo, ela cuida do contato. Serve para abrir, testar, prolongar ou encerrar a comunicação. Exemplo construído: alô, está me ouvindo bem agora? Cumprimentos, fórmulas de despedida e os pequenos ruídos de conversa como né e entende pertencem a ela. Em prova, costuma surgir em diálogos de tirinha e em transcrição de fala.
Função metalinguística.
A linguagem volta-se para si mesma e explica o próprio código. Exemplo construído: a palavra efêmero designa aquilo que dura pouco. O caso clássico é o verbete de dicionário, mas a prova gosta de versões menos óbvias: um poema que fala sobre o ato de escrever, um filme sobre a feitura de filmes, uma tirinha em que o personagem discute o sentido de uma palavra.
Função poética.
O destaque vai para a mensagem em si, para o modo como ela foi construída. Rima, ritmo, repetição proposital, jogo sonoro e escolha calculada de palavra apontam para essa função. Exemplo construído: quem poupa pouco, pouco poupa. Ela não mora só na poesia: slogans publicitários, títulos de reportagem e letras de música exploram esse efeito o tempo todo.
Como o Enem cobra as funções da linguagem?
A prova raramente pede a definição. O formato recorrente é apresentar um texto curto, verbal ou misto, e perguntar qual função predomina nele, qual é a intenção do autor ou qual é a finalidade do texto. São três formas de perguntar a mesma coisa.
Isso acontece porque a matriz de referência de Linguagens trata a língua como instrumento de ação social, e não como lista de nomenclatura. O enunciado quase sempre traz uma das palavras-chave que denunciam a questão: predomina, predominante, finalidade, intenção, propósito comunicativo. Reconhecer esse vocabulário já orienta a leitura.
Vale lembrar que o assunto atravessa a prova inteira, e não fica preso a um bloco. O mesmo raciocínio que você usa aqui serve nas questões de interpretação de texto no Enem e até nas cinco questões de inglês no Enem, em que identificar a intenção comunicativa resolve o item sem tradução completa.
Os gêneros de texto e a função que costuma dominar em cada um:
Esta relação é tendência observada, não regra fixa. Ela serve de hipótese inicial, que você confirma ou descarta lendo o texto da prova.
| Gênero que a prova usa | Função que costuma dominar | Por quê |
|---|---|---|
| Notícia e reportagem | Referencial | O objetivo declarado é informar sobre um fato. |
| Anúncio e campanha | Conativa | O texto existe para provocar uma atitude. |
| Poema lírico | Emotiva ou poética | Depende se o destaque é o eu lírico ou a forma. |
| Verbete e glossário | Metalinguística | A língua explica a própria língua. |
| Tirinha com diálogo | Fática ou conativa | Muita fala serve só para manter a conversa de pé. |
| Slogan e título criativo | Poética | A sonoridade é parte do argumento. |
| Manual e bula | Conativa | Instrução é ordem organizada em passos. |
Questão comentada: como achar a função dominante em três passos.
A questão abaixo foi construída para ilustrar o formato da prova. Ela não pertence a nenhuma edição específica do Enem.
Cartaz de uma campanha de vacinação, afixado em uma unidade de saúde:
Proteja quem você ama. Leve a caderneta, procure a sala de vacina e atualize as doses que faltam. A sua ida de hoje é a segurança de toda a família.
A função da linguagem predominante no cartaz é:
- a) referencial, porque informa onde a vacinação acontece.
- b) conativa, porque busca levar o leitor a agir.
- c) emotiva, porque expressa o sentimento de quem escreveu.
- d) metalinguística, porque explica o sentido de caderneta.
- e) fática, porque mantém o contato com quem passa pelo corredor.
Gabarito: alternativa b. E o caminho até ele cabe em três movimentos que valem para qualquer questão do tipo.
Passo 1: pergunte para onde o texto aponta.
Leia o trecho perguntando de quem ele está tratando. O cartaz não fala de si mesmo, não descreve o sentimento de um autor e não explica palavras. Ele fala com você e pede uma ação sua. O elemento em foco é o receptor, e a função que nasce daí é a conativa.
Passo 2: procure as marcas gramaticais.
Três verbos no imperativo em sequência, proteja, leve e procure, mais o pronome possessivo sua dirigido ao leitor. Essa combinação é a assinatura da função conativa e confirma a leitura do primeiro passo.
Passo 3: separe o meio do fim.
Aqui mora a armadilha da alternativa a. O cartaz realmente informa, porque cita a sala de vacina e a caderneta. Mas informar é o meio que ele usa; o fim é fazer a pessoa ir se vacinar. A função predominante é sempre a do fim, nunca a do recurso usado para chegar lá. Esse mesmo deslize derruba muita gente nas questões de o que cai no Enem em todas as áreas, porque confundir meio com finalidade é erro de leitura, não de conteúdo.
Duas funções no mesmo texto: decida pela intenção global.
Essa é a dúvida que mais aparece, e ela é legítima: textos reais misturam funções mesmo. Um anúncio bem escrito costuma ter conativa e poética juntas, porque convence pedindo e encanta pela sonoridade. Um poema pode ter emotiva e poética no mesmo verso.
O critério de desempate é um só. Pergunte o que o texto deixaria de ser se aquela função sumisse. Tire a rima de um slogan e ele continua pedindo que você compre: a função é conativa, com a poética como reforço. Tire o pedido de um poema que brinca com som e sobra um poema: a função é poética.
Há ainda um segundo critério, mais prático, que vale nas provas de múltipla escolha. Releia o enunciado. Se ele pergunta pela finalidade do texto, quer o fim. Se pergunta pelo recurso que produz determinado efeito, pode estar querendo a função secundária, e nesse caso as alternativas vão deixar isso claro.
Funções da linguagem e figuras de linguagem não são a mesma coisa.
A confusão é comum e vale desfazer de uma vez, porque as duas expressões se parecem e o conteúdo é bem diferente.
Função é o propósito que organiza o texto inteiro. Figura é um recurso pontual de construção, como metáfora, ironia, hipérbole ou antítese, que aparece numa frase ou num verso. Um texto tem uma função dominante e pode ter dezenas de figuras dentro dela, ou nenhuma.
A relação entre as duas existe, e é o que gera a dúvida: a função poética costuma se apoiar em figuras, porque trabalhar a forma da mensagem leva a jogos de sentido. Mas a recíproca não vale. Uma notícia que usa uma metáfora para explicar inflação continua sendo um texto de função referencial, já que o objetivo dela é informar.
As marcas do texto que entregam cada função:
Esta é a tabela para revisar na véspera. Ela reúne, numa linha por função, o que procurar no texto da prova.
| Função | Marcas no texto | Onde costuma aparecer |
|---|---|---|
| Referencial | Terceira pessoa, dados, sentido denotativo | Notícia, verbete, texto científico |
| Emotiva | Primeira pessoa, adjetivo de valor, interjeição | Diário, crônica, depoimento |
| Conativa | Imperativo, vocativo, segunda pessoa | Anúncio, campanha, manual |
| Fática | Saudação, despedida, teste de contato | Diálogo, tirinha, transcrição de fala |
| Metalinguística | Definição, citação do próprio código | Verbete, poema sobre escrever |
| Poética | Rima, repetição, jogo sonoro | Poema, slogan, título criativo |
Erros mais comuns em questões de funções da linguagem.
- Decorar os seis nomes e não treinar o reconhecimento em texto real, que é o que a prova pede.
- Marcar referencial sempre que o texto traz um dado, mesmo quando o dado está ali para convencer.
- Confundir função poética com presença de figura de linguagem, como mostra a seção anterior.
- Achar que função emotiva exige exclamação, quando um relato contido em primeira pessoa também é emotivo.
- Tratar função fática como conversa fiada sem valor, e por isso não marcá-la quando ela é a resposta.
- Ignorar a imagem em textos mistos, já que em cartaz e tirinha a intenção muitas vezes está no desenho.
- Responder pela primeira linha do texto, antes de ler o fecho, que costuma revelar a finalidade.
Esse último item tem solução simples e barata: treinar com provas anteriores em condição de tempo real. Um bom caminho é combinar leitura dirigida com simulado do Enem online feito do começo ao fim, e organizar a revisão dentro de um guia de rotina e método que caiba na sua semana. As provas e os gabaritos oficiais estão disponíveis na página de provas e gabaritos do Inep, e a descrição do exame fica na página oficial do Enem no mesmo portal.
Uma observação sobre o peso disso na nota final. Como o Enem usa a Teoria de Resposta ao Item, acertar questões de interpretação com coerência vale mais do que acertos isolados e dispersos, assunto que o guia sobre como é calculada a nota do Enem detalha com exemplos.
Perguntas frequentes:
Quantas funções da linguagem existem?
São seis: referencial, emotiva, conativa, fática, metalinguística e poética. A classificação é de Roman Jakobson e cada função corresponde a um dos seis elementos da comunicação. Em prova, o que se cobra é identificar qual delas predomina, não recitar a lista.
Como identificar a função da linguagem predominante em um texto?
Pergunte para onde o texto aponta, procure as marcas gramaticais e separe o meio do fim. Se ele fala do assunto, é referencial; se fala de quem escreve, emotiva; se fala com quem lê, conativa. O fecho do texto costuma entregar a finalidade melhor do que a primeira linha.
Funções da linguagem e figuras de linguagem são a mesma coisa?
Não são. A função é o propósito que organiza o texto inteiro, enquanto a figura é um recurso pontual, como metáfora ou ironia, que aparece numa frase. Um texto de função referencial pode ter figuras sem deixar de ser referencial.
Quais funções da linguagem mais caem no Enem?
A recorrência observada favorece a referencial, a conativa e a poética, porque a prova usa muita notícia, muito anúncio e muito poema. A metalinguística aparece com frequência menor, em geral ligada a verbetes ou a textos que falam da própria escrita. Não existe cota divulgada pelo Inep por assunto.
Preciso decorar o nome das seis funções para fazer a prova?
Conhecer os nomes ajuda, porque as alternativas usam esses termos. O que decide a questão, porém, é reconhecer a intenção do texto, já que o enunciado traz o texto e não o nome. Estude pelos exemplos e pelas marcas, e os nomes se fixam no caminho.
Quer chegar em novembro lendo cada texto com essa clareza?
Identificar a intenção de um texto é treino de repetição guiada, e é exatamente isso que as aulas e os simulados com desempenho detalhado da Assinatura ENEM entregam, com correção comentada questão a questão. Conheça o curso e confira o conteúdo antes da prova.