Como fazer a redação do Enem: passo a passo para escrever sem travar.
A redação vale 1.000 pontos no Enem, o mesmo teto de uma área inteira da prova objetiva, e é a única parte do exame em que a nota nasce do que você escreve do zero.
Para fazer a redação do Enem é preciso escrever um texto dissertativo-argumentativo em prosa sobre o tema recebido, com tese clara na introdução, dois parágrafos de argumentação apoiados em repertório e uma proposta de intervenção detalhada no fechamento. A correção avalia cinco competências, cada uma valendo de 0 a 200 pontos.

Atualizado em 15 de outubro de 2026.
Neste guia você encontra:
- As regras que a sua redação precisa cumprir.
- O passo a passo da folha em branco até o ponto final.
- Quanto tempo dedicar a cada etapa.
- Um exemplo de introdução antes e depois da revisão.
- Os erros que derrubam a nota de quem escreve bem.
- As situações que zeram a redação.
- Como treinar nas semanas que faltam.
- Perguntas frequentes.
Regras que a sua redação precisa cumprir:
Antes de qualquer técnica, a sua redação precisa caber no formato pedido pelo Inep. São quatro exigências objetivas: texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, dentro do tema proposto e com proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Fora disso, a correção não chega nem a avaliar a qualidade do argumento.
O texto é escrito à mão, com caneta preta, em uma folha de até 30 linhas. Redação com 7 linhas ou menos é considerada texto insuficiente e recebe zero. Poema, carta, narrativa ou desabafo pessoal também ficam fora do tipo textual exigido, por melhor que esteja a escrita.
A nota final é a soma de cinco competências, e cada uma funciona como uma régua independente. Conhecer o que cada régua mede muda a forma de escrever, porque você para de tentar agradar um corretor genérico e passa a entregar o que está escrito na grade. Veja o detalhamento de cada uma delas no guia sobre as cinco competências da redação do exame.
| Competência | O que a banca mede | Pontuação |
|---|---|---|
| Competência 1 | Domínio da norma culta escrita | 0 a 200 |
| Competência 2 | Compreensão do tema e uso do repertório | 0 a 200 |
| Competência 3 | Seleção e organização dos argumentos | 0 a 200 |
| Competência 4 | Coesão e articulação entre as partes | 0 a 200 |
| Competência 5 | Proposta de intervenção detalhada | 0 a 200 |
As regras oficiais e os documentos de cada edição ficam na página do Enem no Inep e essa é a referência a consultar sempre que surgir dúvida sobre formato ou critério.
Passo a passo para escrever a redação do Enem:
O que separa quem trava de quem termina com folga é a ordem das decisões. Primeiro você decide o que vai defender, depois escreve. Quem inverte isso escreve uma introdução bonita e descobre no terceiro parágrafo que não tem argumento para sustentar.
Passo 1: leia a proposta inteira antes de pensar na tese.
Leia o enunciado e todos os textos motivadores de uma vez, sem caneta na mão. Sublinhe só na segunda leitura. O objetivo aqui é entender o recorte exato do tema, porque é no recorte que mora a fuga parcial: o tema pede a permanência de um problema, e o candidato escreve sobre a existência dele.
Passo 2: escreva a tese em uma frase antes de qualquer parágrafo.
No canto da folha de rascunho, complete esta frase: o problema acontece porque A e porque B. As duas causas que você escolher viram os dois parágrafos de desenvolvimento. Essa frase única é a espinha do texto inteiro e evita o erro mais caro da prova, que é argumentar em duas direções diferentes.
Passo 3: escolha o repertório antes de escrever, não durante.
Para cada causa, escolha um repertório que você consiga explicar em duas linhas: um artigo da Constituição, um dado de instituto de pesquisa, um conceito de sociologia, uma obra, um fato histórico. Repertório citado sem ligação com o argumento não pontua na Competência 2. Se você ainda monta o seu banco de referências, comece pelo material sobre repertório sociocultural na redação e escolha poucos repertórios coringa que servem a vários temas.
Passo 4: monte a introdução em três movimentos.
A introdução eficiente tem contextualização, apresentação do problema e tese com os dois caminhos que o texto vai seguir. São de quatro a seis linhas, nada além disso. Introdução longa demais rouba espaço do desenvolvimento, que é onde a nota realmente se decide.
Passo 5: desenvolva um argumento por parágrafo, sempre na mesma arquitetura.
Cada parágrafo de desenvolvimento segue a mesma sequência: tópico frasal com a causa, repertório, explicação da relação entre o repertório e a causa, e fechamento mostrando a consequência do problema. Repetir essa arquitetura nos dois parágrafos não empobrece o texto, organiza a leitura do corretor e sustenta a Competência 3.
Passo 6: feche com uma proposta de intervenção completa.
A proposta precisa dizer quem faz, o que faz, como faz, para quê e com qual efeito. Agente vago do tipo governo ou sociedade derruba a Competência 5 na hora. O detalhamento dos elementos obrigatórios está no guia sobre a proposta de intervenção no Enem e ele mostra como encaixar os cinco elementos em um parágrafo só.
Passo 7: revise com três leituras curtas, cada uma com um alvo.
Na primeira leitura, cace erro de concordância e de pontuação. Na segunda, verifique se cada parágrafo começa com um conectivo diferente. Na terceira, confirme se a proposta responde ao problema que você mesmo apresentou na introdução. Revisar tudo de uma vez não funciona, porque o olho acostuma com o próprio texto.
Quanto tempo dedicar a cada etapa?
O primeiro dia do Enem tem 5 horas e 30 minutos para Linguagens, Ciências Humanas e a redação. A conta que funciona na prática é reservar 90 minutos para a redação inteira, incluindo o rascunho e a passagem a limpo, e distribuir esse tempo em blocos fixos.
| Etapa | Tempo sugerido | O que você entrega no fim |
|---|---|---|
| Leitura da proposta | 10 minutos | Tema compreendido e trechos sublinhados |
| Tese e plano dos parágrafos | 10 minutos | Frase de tese e duas causas definidas |
| Rascunho completo | 40 minutos | Texto inteiro escrito |
| Revisão do rascunho | 10 minutos | Erros corrigidos antes da folha oficial |
| Passagem a limpo | 20 minutos | Folha definitiva preenchida com calma |
Deixar a redação para o fim da prova é a escolha mais arriscada do dia, porque o cansaço cai justamente sobre a parte que exige escrita manual e revisão. Muita gente prefere começar pela redação, ainda com a cabeça fresca, e depois voltar às questões objetivas. Para entender como as duas tarefas dividem o mesmo dia, veja o panorama sobre o que cai no Enem nos dois dias de prova e monte a sua ordem de ataque com antecedência.
Exemplo de introdução antes e depois da revisão:
O exemplo abaixo foi construído para ilustrar o formato, com um tema hipotético sobre o acesso à leitura no Brasil. Ele não reproduz nenhuma proposta oficial de edição passada do exame.
Versão fraca: na sociedade atual, a leitura é muito importante para as pessoas. Infelizmente, muitos brasileiros não têm acesso aos livros e isso é um problema grave que precisa ser resolvido pelo governo o quanto antes.
Versão revisada: a Constituição Federal de 1988 garante o acesso à cultura como direito de todos, mas a leitura segue distante da rotina de boa parte da população brasileira. Esse distanciamento se sustenta por dois fatores: a escassez de bibliotecas públicas em municípios pequenos e a ausência de mediação de leitura nas escolas.
A diferença entre as duas não é vocabulário rebuscado. A segunda versão tem repertório ligado ao tema, nomeia o problema com precisão e já anuncia as duas causas que serão desenvolvidas. É esse anúncio que faz o corretor ler o restante do texto com a expectativa certa, e é ele que falta na maioria das redações medianas.
Erros que derrubam a nota de quem escreve bem:
- Tangenciar o tema. Escrever sobre o assunto geral, e não sobre o recorte exato do enunciado, corta a nota pela metade em duas competências de uma vez.
- Repertório decorativo. Citar um filósofo na primeira linha e nunca mais voltar a ele mostra memorização, não argumentação.
- Conectivo repetido. Começar três parágrafos com a mesma expressão de ligação sinaliza repertório limitado de coesão e pesa na Competência 4.
- Proposta genérica. Pedir que a sociedade se conscientize não é intervenção, porque não tem agente definido nem meio de execução.
- Marca de identificação. Assinatura, nome, recado para o corretor ou desenho na folha definitiva colocam a redação fora da correção.
- Letra ilegível na passagem a limpo. Texto que o corretor não consegue ler perde pontos que o conteúdo já tinha conquistado no rascunho.
O que zera a redação do Enem?
O Inep lista situações objetivas em que a redação recebe nota zero, sem análise do conteúdo. Conhecer essa lista evita o pior cenário possível na prova, que é perder 1.000 pontos por um detalhe de forma.
- Fuga completa ao tema proposto.
- Texto que não respeita o tipo dissertativo-argumentativo.
- Redação com até 7 linhas escritas.
- Cópia dos textos motivadores sem produção própria.
- Folha em branco ou com trecho desconectado do tema.
- Qualquer forma de identificação do participante na folha.
Repare que nenhuma dessas situações tem a ver com talento para escrever. Todas são evitáveis com leitura atenta do enunciado e com disciplina na hora de passar o texto a limpo.
Como treinar nas semanas que faltam?
Treino de redação funciona por repetição com correção, não por acúmulo de teoria. Uma redação por semana, corrigida e reescrita, rende mais que cinco textos escritos e guardados na gaveta. A reescrita é a parte que a maioria pula, e é justamente ela que fixa a correção.
Monte o treino em três camadas. Na primeira semana, escreva com tempo livre e foco na estrutura. Na segunda, cronometre 90 minutos. Na terceira, escreva à mão, com caneta preta e contagem de linhas, simulando a folha oficial. Quem trabalha ou estuda em período integral pode reduzir a frequência, mas não pode abrir mão da reescrita.
Treine também a leitura de propostas antigas, disponíveis na página de provas e gabaritos do Enem no site oficial. Só de reescrever a tese de cinco temas anteriores você já percebe o padrão de recorte que o exame costuma usar.
Para encaixar esse treino em uma rotina de estudos que inclui as quatro áreas, use o guia de rotina e método de estudo para o Enem do portal. E na véspera, confira o checklist do dia da prova para não perder tempo com a caneta errada.
| Momento | Prioridade | Sinal de que está funcionando |
|---|---|---|
| A oito semanas da prova | Estrutura dos parágrafos | Você escreve a tese em menos de 5 minutos |
| A quatro semanas | Repertório e proposta | Cada argumento tem repertório explicado |
| Na última semana | Tempo e letra | Texto pronto em 90 minutos, legível |
Perguntas frequentes:
Quantas linhas a redação do Enem precisa ter?
A folha oficial tem 30 linhas e o texto precisa passar de 7 linhas para ser corrigido. A faixa confortável fica entre 25 e 30 linhas, espaço suficiente para introdução, dois desenvolvimentos e proposta de intervenção completa. Texto muito curto costuma sacrificar justamente o detalhamento da proposta.
Como fazer uma redação nota 1000 no Enem?
Nota máxima exige os 200 pontos nas cinco competências ao mesmo tempo, o que significa texto sem desvio grave de norma culta, repertório ligado ao argumento, progressão clara, coesão variada e proposta com todos os elementos. Não existe fórmula secreta, existe repetição corrigida. A maior parte das notas mil se constrói com dezenas de textos reescritos ao longo do ano.
Posso usar primeira pessoa na redação do Enem?
O recomendado é escrever em terceira pessoa, mantendo o tom impessoal do texto dissertativo-argumentativo. A primeira pessoa do plural aparece em algumas redações bem avaliadas, mas o risco de escorregar para opinião pessoal sem argumento aumenta. Na dúvida, prefira a impessoalidade.
Preciso citar filósofos para ir bem na redação?
Não existe exigência de citar filósofo nenhum. O que a Competência 2 pede é repertório sociocultural produtivo, e isso inclui dados, leis, obras, fatos históricos e conceitos de qualquer área. Um artigo da Constituição bem explicado vale mais que um nome famoso citado sem contexto.
O que acontece se eu fugir do tema por engano?
Fuga completa ao tema zera a redação, e tangenciamento derruba a nota de forma severa nas competências de tema e argumentação. Por isso o passo da leitura do enunciado vale os 10 minutos que ele custa. Escrever a frase de tese antes do primeiro parágrafo é a melhor proteção contra esse erro.
Pronto para escrever com correção de verdade?
Redação melhora quando alguém aponta o que está travando o seu texto, e isso só aparece com correção e reescrita. A Assinatura ENEM do Portal reúne as aulas, as turmas e os simulados com desempenho detalhado para você treinar escrita e conteúdo no mesmo lugar. Conheça a Assinatura ENEM e confira o conteúdo antes da sua próxima redação.