Como fazer a redação do Enem: passo a passo sem travar

Como fazer a redação do Enem: passo a passo sem travar
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 15/10 às 14h

Como fazer a redação do Enem: passo a passo para escrever sem travar.

A redação vale 1.000 pontos no Enem, o mesmo teto de uma área inteira da prova objetiva, e é a única parte do exame em que a nota nasce do que você escreve do zero.

Para fazer a redação do Enem é preciso escrever um texto dissertativo-argumentativo em prosa sobre o tema recebido, com tese clara na introdução, dois parágrafos de argumentação apoiados em repertório e uma proposta de intervenção detalhada no fechamento. A correção avalia cinco competências, cada uma valendo de 0 a 200 pontos.

Infográfico com as cinco competências da redação do Enem e a pontuação de cada uma
Cada competência da redação do Enem vale de 0 a 200 pontos.

Atualizado em 15 de outubro de 2026.

Neste guia você encontra:

Regras que a sua redação precisa cumprir:

Antes de qualquer técnica, a sua redação precisa caber no formato pedido pelo Inep. São quatro exigências objetivas: texto em prosa, do tipo dissertativo-argumentativo, dentro do tema proposto e com proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Fora disso, a correção não chega nem a avaliar a qualidade do argumento.

O texto é escrito à mão, com caneta preta, em uma folha de até 30 linhas. Redação com 7 linhas ou menos é considerada texto insuficiente e recebe zero. Poema, carta, narrativa ou desabafo pessoal também ficam fora do tipo textual exigido, por melhor que esteja a escrita.

A nota final é a soma de cinco competências, e cada uma funciona como uma régua independente. Conhecer o que cada régua mede muda a forma de escrever, porque você para de tentar agradar um corretor genérico e passa a entregar o que está escrito na grade. Veja o detalhamento de cada uma delas no guia sobre as cinco competências da redação do exame.

CompetênciaO que a banca medePontuação
Competência 1Domínio da norma culta escrita0 a 200
Competência 2Compreensão do tema e uso do repertório0 a 200
Competência 3Seleção e organização dos argumentos0 a 200
Competência 4Coesão e articulação entre as partes0 a 200
Competência 5Proposta de intervenção detalhada0 a 200

As regras oficiais e os documentos de cada edição ficam na página do Enem no Inep e essa é a referência a consultar sempre que surgir dúvida sobre formato ou critério.

Passo a passo para escrever a redação do Enem:

O que separa quem trava de quem termina com folga é a ordem das decisões. Primeiro você decide o que vai defender, depois escreve. Quem inverte isso escreve uma introdução bonita e descobre no terceiro parágrafo que não tem argumento para sustentar.

Passo 1: leia a proposta inteira antes de pensar na tese.

Leia o enunciado e todos os textos motivadores de uma vez, sem caneta na mão. Sublinhe só na segunda leitura. O objetivo aqui é entender o recorte exato do tema, porque é no recorte que mora a fuga parcial: o tema pede a permanência de um problema, e o candidato escreve sobre a existência dele.

Passo 2: escreva a tese em uma frase antes de qualquer parágrafo.

No canto da folha de rascunho, complete esta frase: o problema acontece porque A e porque B. As duas causas que você escolher viram os dois parágrafos de desenvolvimento. Essa frase única é a espinha do texto inteiro e evita o erro mais caro da prova, que é argumentar em duas direções diferentes.

Passo 3: escolha o repertório antes de escrever, não durante.

Para cada causa, escolha um repertório que você consiga explicar em duas linhas: um artigo da Constituição, um dado de instituto de pesquisa, um conceito de sociologia, uma obra, um fato histórico. Repertório citado sem ligação com o argumento não pontua na Competência 2. Se você ainda monta o seu banco de referências, comece pelo material sobre repertório sociocultural na redação e escolha poucos repertórios coringa que servem a vários temas.

Passo 4: monte a introdução em três movimentos.

A introdução eficiente tem contextualização, apresentação do problema e tese com os dois caminhos que o texto vai seguir. São de quatro a seis linhas, nada além disso. Introdução longa demais rouba espaço do desenvolvimento, que é onde a nota realmente se decide.

Passo 5: desenvolva um argumento por parágrafo, sempre na mesma arquitetura.

Cada parágrafo de desenvolvimento segue a mesma sequência: tópico frasal com a causa, repertório, explicação da relação entre o repertório e a causa, e fechamento mostrando a consequência do problema. Repetir essa arquitetura nos dois parágrafos não empobrece o texto, organiza a leitura do corretor e sustenta a Competência 3.

Passo 6: feche com uma proposta de intervenção completa.

A proposta precisa dizer quem faz, o que faz, como faz, para quê e com qual efeito. Agente vago do tipo governo ou sociedade derruba a Competência 5 na hora. O detalhamento dos elementos obrigatórios está no guia sobre a proposta de intervenção no Enem e ele mostra como encaixar os cinco elementos em um parágrafo só.

Passo 7: revise com três leituras curtas, cada uma com um alvo.

Na primeira leitura, cace erro de concordância e de pontuação. Na segunda, verifique se cada parágrafo começa com um conectivo diferente. Na terceira, confirme se a proposta responde ao problema que você mesmo apresentou na introdução. Revisar tudo de uma vez não funciona, porque o olho acostuma com o próprio texto.

Quanto tempo dedicar a cada etapa?

O primeiro dia do Enem tem 5 horas e 30 minutos para Linguagens, Ciências Humanas e a redação. A conta que funciona na prática é reservar 90 minutos para a redação inteira, incluindo o rascunho e a passagem a limpo, e distribuir esse tempo em blocos fixos.

EtapaTempo sugeridoO que você entrega no fim
Leitura da proposta10 minutosTema compreendido e trechos sublinhados
Tese e plano dos parágrafos10 minutosFrase de tese e duas causas definidas
Rascunho completo40 minutosTexto inteiro escrito
Revisão do rascunho10 minutosErros corrigidos antes da folha oficial
Passagem a limpo20 minutosFolha definitiva preenchida com calma

Deixar a redação para o fim da prova é a escolha mais arriscada do dia, porque o cansaço cai justamente sobre a parte que exige escrita manual e revisão. Muita gente prefere começar pela redação, ainda com a cabeça fresca, e depois voltar às questões objetivas. Para entender como as duas tarefas dividem o mesmo dia, veja o panorama sobre o que cai no Enem nos dois dias de prova e monte a sua ordem de ataque com antecedência.

Exemplo de introdução antes e depois da revisão:

O exemplo abaixo foi construído para ilustrar o formato, com um tema hipotético sobre o acesso à leitura no Brasil. Ele não reproduz nenhuma proposta oficial de edição passada do exame.

Versão fraca: na sociedade atual, a leitura é muito importante para as pessoas. Infelizmente, muitos brasileiros não têm acesso aos livros e isso é um problema grave que precisa ser resolvido pelo governo o quanto antes.

Versão revisada: a Constituição Federal de 1988 garante o acesso à cultura como direito de todos, mas a leitura segue distante da rotina de boa parte da população brasileira. Esse distanciamento se sustenta por dois fatores: a escassez de bibliotecas públicas em municípios pequenos e a ausência de mediação de leitura nas escolas.

A diferença entre as duas não é vocabulário rebuscado. A segunda versão tem repertório ligado ao tema, nomeia o problema com precisão e já anuncia as duas causas que serão desenvolvidas. É esse anúncio que faz o corretor ler o restante do texto com a expectativa certa, e é ele que falta na maioria das redações medianas.

Erros que derrubam a nota de quem escreve bem:

  • Tangenciar o tema. Escrever sobre o assunto geral, e não sobre o recorte exato do enunciado, corta a nota pela metade em duas competências de uma vez.
  • Repertório decorativo. Citar um filósofo na primeira linha e nunca mais voltar a ele mostra memorização, não argumentação.
  • Conectivo repetido. Começar três parágrafos com a mesma expressão de ligação sinaliza repertório limitado de coesão e pesa na Competência 4.
  • Proposta genérica. Pedir que a sociedade se conscientize não é intervenção, porque não tem agente definido nem meio de execução.
  • Marca de identificação. Assinatura, nome, recado para o corretor ou desenho na folha definitiva colocam a redação fora da correção.
  • Letra ilegível na passagem a limpo. Texto que o corretor não consegue ler perde pontos que o conteúdo já tinha conquistado no rascunho.

O que zera a redação do Enem?

O Inep lista situações objetivas em que a redação recebe nota zero, sem análise do conteúdo. Conhecer essa lista evita o pior cenário possível na prova, que é perder 1.000 pontos por um detalhe de forma.

  • Fuga completa ao tema proposto.
  • Texto que não respeita o tipo dissertativo-argumentativo.
  • Redação com até 7 linhas escritas.
  • Cópia dos textos motivadores sem produção própria.
  • Folha em branco ou com trecho desconectado do tema.
  • Qualquer forma de identificação do participante na folha.

Repare que nenhuma dessas situações tem a ver com talento para escrever. Todas são evitáveis com leitura atenta do enunciado e com disciplina na hora de passar o texto a limpo.

Como treinar nas semanas que faltam?

Treino de redação funciona por repetição com correção, não por acúmulo de teoria. Uma redação por semana, corrigida e reescrita, rende mais que cinco textos escritos e guardados na gaveta. A reescrita é a parte que a maioria pula, e é justamente ela que fixa a correção.

Monte o treino em três camadas. Na primeira semana, escreva com tempo livre e foco na estrutura. Na segunda, cronometre 90 minutos. Na terceira, escreva à mão, com caneta preta e contagem de linhas, simulando a folha oficial. Quem trabalha ou estuda em período integral pode reduzir a frequência, mas não pode abrir mão da reescrita.

Treine também a leitura de propostas antigas, disponíveis na página de provas e gabaritos do Enem no site oficial. Só de reescrever a tese de cinco temas anteriores você já percebe o padrão de recorte que o exame costuma usar.

Para encaixar esse treino em uma rotina de estudos que inclui as quatro áreas, use o guia de rotina e método de estudo para o Enem do portal. E na véspera, confira o checklist do dia da prova para não perder tempo com a caneta errada.

MomentoPrioridadeSinal de que está funcionando
A oito semanas da provaEstrutura dos parágrafosVocê escreve a tese em menos de 5 minutos
A quatro semanasRepertório e propostaCada argumento tem repertório explicado
Na última semanaTempo e letraTexto pronto em 90 minutos, legível

Perguntas frequentes:

Quantas linhas a redação do Enem precisa ter?

A folha oficial tem 30 linhas e o texto precisa passar de 7 linhas para ser corrigido. A faixa confortável fica entre 25 e 30 linhas, espaço suficiente para introdução, dois desenvolvimentos e proposta de intervenção completa. Texto muito curto costuma sacrificar justamente o detalhamento da proposta.

Como fazer uma redação nota 1000 no Enem?

Nota máxima exige os 200 pontos nas cinco competências ao mesmo tempo, o que significa texto sem desvio grave de norma culta, repertório ligado ao argumento, progressão clara, coesão variada e proposta com todos os elementos. Não existe fórmula secreta, existe repetição corrigida. A maior parte das notas mil se constrói com dezenas de textos reescritos ao longo do ano.

Posso usar primeira pessoa na redação do Enem?

O recomendado é escrever em terceira pessoa, mantendo o tom impessoal do texto dissertativo-argumentativo. A primeira pessoa do plural aparece em algumas redações bem avaliadas, mas o risco de escorregar para opinião pessoal sem argumento aumenta. Na dúvida, prefira a impessoalidade.

Preciso citar filósofos para ir bem na redação?

Não existe exigência de citar filósofo nenhum. O que a Competência 2 pede é repertório sociocultural produtivo, e isso inclui dados, leis, obras, fatos históricos e conceitos de qualquer área. Um artigo da Constituição bem explicado vale mais que um nome famoso citado sem contexto.

O que acontece se eu fugir do tema por engano?

Fuga completa ao tema zera a redação, e tangenciamento derruba a nota de forma severa nas competências de tema e argumentação. Por isso o passo da leitura do enunciado vale os 10 minutos que ele custa. Escrever a frase de tese antes do primeiro parágrafo é a melhor proteção contra esse erro.

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